MINHA VIDA DE MENINA - DOIS CAMINHOS PARA A LEITURA

MINHA VIDA DE MENINA (1893 – 1895)     
Helena Morley (Alice Daurell Caldeira Brant  1880-1970)
Obra publicada em 1942

É importante que o estudante leve em consideração, sempre que tomar contato com uma obra literária, o tempo-espaço da escrita. Isso o ajudará a compreender funções da literatura como "registro documental de época", "expressões regionais da língua", "manifestações culturais da região de origem da obra". 
Estabelecer um olhar "diacrônico" facilitará a busca pelo ambiente e pelas circunstâncias que geraram o pensamento e a linguagem utilizada para expressá-lo. Além disso o leitor não pode deixar de lado o tempo da leitura e seu próprio entorno. Deve manter viva a seguinte pergunta:  "De que modo essa obra, escrita no final do século XIX, no interior de Minas Gerais, conversa com nossa maneira de viver, na segunda década do século XXI?". É desse modo que poderá problematizar os variados aspectos linguísticos e temáticos que a obra oferece: "Como evoluíram as culturas religiosas, no Brasil?"; "Como chegou aos nossos dias a intolerância racista dos tempos da escravidão?"; "As manifestações artísticas registradas no diário ainda revelam a nação?"; "Apesar do uso de variados meios tecnológicos, a linguagem oral que se lê no diário de Helena está muito distante da nossa?" e assim por diante. 

O estudante será capaz de apreender a obra de modo mais significativo, então, ao considerar 
                         
(1.) que trata-se do DIÁRIO DE UMA ADOLESCENTE DO INTERIOR DE MINAS GERAIS, NO FINAL DO SÉCULO XIX que registra SUA VISÃO dos fatos e pensamentos de época - com a abolição da escravidão (1888) e a transição da monarquia para a república (1889) 
                         
(2.) que é preciso realizar, também, uma    LEITURA CRÍTICA a fim de detectar o modo como um registro sociocultural brasileiro de época chegou aos nossos dias. 

J
Davi Fazzolari®

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